must men chant beneath their pink repulsive sun as do elaborate boys when rain takes our language apparatus power to sleep?
easy beat over beauty meat
if you fall into winter vision
some fiddle mother mean less by hot
but spray me her thousand honey puppy
delirious peach eternity
yet I drool under your pants
O que ele queria mesmo era fazer peças de teatro sobre peças de fruta.
28.1.09
25.1.09
Com licença,
Pudera ristrefagiar fora das eltrarias dos luisiames,
singlafinar nos tregombos sungufantes
que ossanfisgam sem julmar, dormicapisando
a pedra que perdera por aí, tudo e tu
numa honomastrufagura júctil imprudente.
Tábua de queijos e enchidos para dois, um cálice de vinho vermelho-vivo e uma faixa retirada do primeiro álbum de originais frutado e encorpado do conjunto liderado por Matt Clusterson, o senhor John MacDahlkins Jr. no vibrafone, um tema seleccionado do aclamado trabalho do quarteto dos subúrbios de Fletcherbroughwitch, proposta robusta ideal para acompanhar carnes vermelhas ou caça. Na próxima meia-hora estaremos à conversa com Tigo Mulher.
E as nuvens lá fora todas nimbus stratocaster.
- O gajo anda a escrever pior.
- Não sei, está mais pretensioso, perdeu toda a piada.
E as nuvens lá fora, a sério, todas nimbus stratocaster. Se escutasses por momentos verias, como nódoas de vinho no vestido verias, as nuvens lá fora todas nimbus stratocaster.
Alegações finais, estancando nos dedos o sangue do nariz,
- Porque me sabes a ferro?
escrevendo chavões a ranho e a giz:
- A tua língua sabe a ferro!
A defesa não tem nada a acrescentar, Meritíssimo.
Ele é mais é esquentadores. Matando por um beijo. Boa noite e um queijo.
singlafinar nos tregombos sungufantes
que ossanfisgam sem julmar, dormicapisando
a pedra que perdera por aí, tudo e tu
numa honomastrufagura júctil imprudente.
Tábua de queijos e enchidos para dois, um cálice de vinho vermelho-vivo e uma faixa retirada do primeiro álbum de originais frutado e encorpado do conjunto liderado por Matt Clusterson, o senhor John MacDahlkins Jr. no vibrafone, um tema seleccionado do aclamado trabalho do quarteto dos subúrbios de Fletcherbroughwitch, proposta robusta ideal para acompanhar carnes vermelhas ou caça. Na próxima meia-hora estaremos à conversa com Tigo Mulher.
E as nuvens lá fora todas nimbus stratocaster.
- O gajo anda a escrever pior.
- Não sei, está mais pretensioso, perdeu toda a piada.
E as nuvens lá fora, a sério, todas nimbus stratocaster. Se escutasses por momentos verias, como nódoas de vinho no vestido verias, as nuvens lá fora todas nimbus stratocaster.
Alegações finais, estancando nos dedos o sangue do nariz,
- Porque me sabes a ferro?
escrevendo chavões a ranho e a giz:
- A tua língua sabe a ferro!
A defesa não tem nada a acrescentar, Meritíssimo.
Ele é mais é esquentadores. Matando por um beijo. Boa noite e um queijo.
27.12.08
Poesia de frigorífico
shine a trip on my skin dream
and think about this purple mist
death whisper on a car crush symphony
a day after your black milk tongue
your sweet summer storm
would bitter the moon
so may they moan together
my sordid chocolate girl
delirious peach eternity
yet I drool under your pants
and think about this purple mist
death whisper on a car crush symphony
a day after your black milk tongue
your sweet summer storm
would bitter the moon
so may they moan together
my sordid chocolate girl
delirious peach eternity
yet I drool under your pants
Instrutor de voo
Três dias após degolarem o anão
pedia o gigante que lhe dessem mais tempo,
a criança de bibe de trazer pela mão
tremia de frio e temia o vento:
- Mamã, serei trolha, de andaime em andaime,
de trato educado e perfil elegante!
- Se comeres as batatas prometo-to, Jaime,
deixar-te assistir a esfolar o gigante.
O piloto, drogado,
o avião despenhado
e a gordura
em pedaços
dos braços
chiando
e o cego, ao Chiado,
nem olhos nem fado
e a candura
em delírios
nos lírios
sangrando.
Comandante Cachaça em lençóis de bossa nova,
engolindo a sua passa ri que morro e me renova
como o ano que se passa como estrela de cinema,
como a asa que estilhaça no meu morro de Ipanema.
pedia o gigante que lhe dessem mais tempo,
a criança de bibe de trazer pela mão
tremia de frio e temia o vento:
- Mamã, serei trolha, de andaime em andaime,
de trato educado e perfil elegante!
- Se comeres as batatas prometo-to, Jaime,
deixar-te assistir a esfolar o gigante.
O piloto, drogado,
o avião despenhado
e a gordura
em pedaços
dos braços
chiando
e o cego, ao Chiado,
nem olhos nem fado
e a candura
em delírios
nos lírios
sangrando.
Comandante Cachaça em lençóis de bossa nova,
engolindo a sua passa ri que morro e me renova
como o ano que se passa como estrela de cinema,
como a asa que estilhaça no meu morro de Ipanema.
19.12.08
Balada do gigante
- Dêem-me um minuto de silêncio
antes de me degolarem - pediu
o gigante aos danados.
- Daqui de cima não me ouço.
antes de me degolarem - pediu
o gigante aos danados.
- Daqui de cima não me ouço.
The White Man (1907)
Lyonel Feininger
10.12.08
Na vasa da mala
Por cada palavra que escrevo um flamingo parte a perna de apoio na lama da savana. Vinte e duas fracturas expostas cor-de-rosa
(que se foda o acordo ortográfico, cor-de-rosa tem mais de corderrosa que de cor de rosa - e quem não é desta-opinião pega-de-empurrão).
Dizia, a cada palavra que escrevo não só a savana perde cor: é o meu filho que de dia para dia mais monocromático, é o sol da minha guitarra que a cada dia mais grave. É como dar um tiro no pé e gabar a pontaria
- Aha! Brutal! O sangue na falange!
ou como ter insónias há três meses e não deixar de beber seis taças de café forte por dia, fora as bicas, que são gomas de chicória inventadas para disfarçar o hálito a beata e tingir os dentes de vida. Tentei guardar os versos para mim, praticar a abstinência e arquivá-los, mas eles eram-me de tal modo medonhos que só esta página, que é página pública e
desquadriculada
desquadricularizada
desquadricularizacionada
desquadricularizacionamentada
desquadricularizacionamentizada
desquadricularizacionamentalizada
desquadricularizacionamentalizacionada
os salvaria do ridículo:
houve tempos em que a banda,
houve livros e o vinho e o amigo feliz
prometendo mais dele que dele
prometesse
e o chocolate que trazia no bolso
para não adormecer,
o chocolate e eu, na
noite branca que a luz escurecera
e enfim mazurcas e valsas
um dois hup,
um dois hup!
e as noites frias a aquecerem
no momento em que tremeste
é muito fácil despir-me,
zufa! sem camisa
zás! braguilha e botão
sem som na palma da mão
e estou de cuecas.
Não ter ninguém que assim me veja porém
é menos triste que não entender o barulho que
a minha alma e braguilha
não fazem mais.
Depois dizem-me que tenho uma filha,
Depois dizem-me que não existo.
Nos meus sonhos assalto bancos, e faço-o com tal brio que jamais sou apanhado: são as sereias dos carros-patrulha a silenciar a cidade e eu fumando um cigarro nas escadas do tribunal
- Foram para ali, senhor guarda!
tranquilo porque o meu melhor amigo baleado nas têmporas não haveria de ser delator. Chegasse o buliço da aurora, desenterraria o saco do dinheiro entre o salgueiro e o jacarandá e voltaria à estrada, que numa casa incendiada já não daria para viver. Se não fodesse tudo à minha volta talvez não precisasse de viajar.
Nas minhas insónias penso em vocês. Menos em ti, que és desinteressante.
Estão convidados para a minha festa. O rendez-vous é amanhã: o mestre faz cem anos, o outro faz vinte e dois.
Denny Crane.
Quase vinte e três.
Denny Crane.
(que se foda o acordo ortográfico, cor-de-rosa tem mais de corderrosa que de cor de rosa - e quem não é desta-opinião pega-de-empurrão).
Dizia, a cada palavra que escrevo não só a savana perde cor: é o meu filho que de dia para dia mais monocromático, é o sol da minha guitarra que a cada dia mais grave. É como dar um tiro no pé e gabar a pontaria
- Aha! Brutal! O sangue na falange!
ou como ter insónias há três meses e não deixar de beber seis taças de café forte por dia, fora as bicas, que são gomas de chicória inventadas para disfarçar o hálito a beata e tingir os dentes de vida. Tentei guardar os versos para mim, praticar a abstinência e arquivá-los, mas eles eram-me de tal modo medonhos que só esta página, que é página pública e
desquadriculada
desquadricularizada
desquadricularizacionada
desquadricularizacionamentada
desquadricularizacionamentizada
desquadricularizacionamentalizada
desquadricularizacionamentalizacionada
os salvaria do ridículo:
houve tempos em que a banda,
houve livros e o vinho e o amigo feliz
prometendo mais dele que dele
prometesse
e o chocolate que trazia no bolso
para não adormecer,
o chocolate e eu, na
noite branca que a luz escurecera
e enfim mazurcas e valsas
um dois hup,
um dois hup!
e as noites frias a aquecerem
no momento em que tremeste
é muito fácil despir-me,
zufa! sem camisa
zás! braguilha e botão
sem som na palma da mão
e estou de cuecas.
Não ter ninguém que assim me veja porém
é menos triste que não entender o barulho que
a minha alma e braguilha
não fazem mais.
Depois dizem-me que tenho uma filha,
Depois dizem-me que não existo.
Nos meus sonhos assalto bancos, e faço-o com tal brio que jamais sou apanhado: são as sereias dos carros-patrulha a silenciar a cidade e eu fumando um cigarro nas escadas do tribunal
- Foram para ali, senhor guarda!
tranquilo porque o meu melhor amigo baleado nas têmporas não haveria de ser delator. Chegasse o buliço da aurora, desenterraria o saco do dinheiro entre o salgueiro e o jacarandá e voltaria à estrada, que numa casa incendiada já não daria para viver. Se não fodesse tudo à minha volta talvez não precisasse de viajar.
Nas minhas insónias penso em vocês. Menos em ti, que és desinteressante.
Estão convidados para a minha festa. O rendez-vous é amanhã: o mestre faz cem anos, o outro faz vinte e dois.
Denny Crane.
Quase vinte e três.
Denny Crane.
30.11.08
Do you really want to hurt me?
«Boy George acusado de algemar prostituto.
O cantor foi acusado de ter espancado o prostituto depois de este se recusar "a ter relações sexuais com ele".»
Dantes eras tu que te encarregavas destas larachas, Bernardino.
O cantor foi acusado de ter espancado o prostituto depois de este se recusar "a ter relações sexuais com ele".»
Dantes eras tu que te encarregavas destas larachas, Bernardino.
29.11.08
25.11.08
Pedi ao carteiro que me lesse em voz alta
Sabes o que é? É o nãoter percebide ainda quea em patia que sen timos
(vourecommeçar, não se escreve deitadona cama, o ombro apoiado na almmofada quando o que queriadizer era o coto velo apoiadonoutrosítio)
Sabes o que é? (sentei-me, ainda na cama, escreve-se melhor)
É o não ter percebido ainda se o que sentimos sou eu só que o sinto. Vamos, tu namoras, por namorar entendo fazer aquelas coisas que fazem os namorados quando juntos; namoras, o que é bom, o que há-de ser bom. Há-de ser algo, há-de SER. Não é nada disso: é só que não percebi (e é isso, sabes, o que é) se o que sentimos sou eu que o sinto só. Era outra coisa, era outra coisa! Era isto, ou qualquer coisa como que isto:
Que a estranha empatia não a sei, se a sinto só
se a empatia em mim só
existe
Não existe.
(la palice é com cê ou dois ésses?)
Esquece tudo, meu amor, acabei de acordar (a língua colada ao céu da boca, as ramelas, o cabelo como a maré-vaza), não estou para ninguém.
Gostava de tentar contigo, um dia
(era isto!)
na sala-de-estar que há-de ser a única divisão da minha casa (um sofá largo e fundo roubado ao camião do lixo, uma mesa redonda, um candeeiro de vidro fosco e uma janela; restos de ontem, colheres e canecas sujas, um maço e um livro e música na grafonola faz-de-conta), tentar contigo um dia
Olhar.
Eu sentava-me aqui, tu sentavas-te à minha frente. Acendíamos cigarros, se quiséssemos; a cafeteira haveria de estar sempre cheia e quente. Punhas-te confortável (descalça os sapatos, tlum! no tapete, ufa-tlum! no tapete e para fora; encolhe as pernas e abraça a almofada velha), eu punha-me confortável também, inventava uma posição que fingisse conhecer (é suposto conhecer o meu próprio sofá, que merda) e olhava-te, assim como tu me olhavas, tal como tínhamos combinado.
Esquecíamos a treta das almas gémeas e o que quer que tivéssemos decidido que devia ou não acontecer. O universo não é dever, é desordem porque é ser, e as almas gémeas são hormonas que se toleram. Tu e eu saberíamos disso - e não perceberíamos um chavo do seu significado. Como te disse:
Tu sentada, eu sentado, olhávamo-nos
(a janela fechada, deixa-a estar, esquece o fumo de cigarro que disfarças não te desnortear, acabará por suspirar e expirar num estalo POP! nos caracóis soltos do teu pescoço. Há dias em que me pareces carregar toneladas; dias em que, sem te tocar, me pesas nos braços)
e isso seria só. Olhávamo-nos, apenas. Não à espera da telepatia, não da palavra, do telefone ou telefonia; nem à espera do correio nem à espera do sorriso. Olhávamos um para o outro até não podermos mais. Até nos doer
(não o frio, não a fome)
existir. Como num jogo: ganhava quem assim conseguisse ficar mais tempo, perdia a quem doesse mais. E como adoras jogos, e como detestas perder,
- Ganhaste, dói-me a cabeça
e pulava para o teu sofá. Fechava os olhos e o corpo, os meus ombros já nas tuas pernas, as tuas mãos despenteando-me o coração. Sem chorar,
(sou lá algum maricas)
seriam lágrimas de fumo a inundar-te o colo.
Esquece a treta das almas gémeas: elas não existem. O que existe, estou certo, é mexeres-me no cabelo sem que te peça; é tremeres a ponta do cigarro porque te pareço menos grotesco assim de perto. Agora sopra o fumo e apaga a beata no muro do coreto
- Anda dançar, esta sabes
no muro do coreto porque não há casa nem restos de ontem. E o que existe, estou certo, é o sol já se ter posto e ainda o ver nas tuas mãos.
O que existe é o que sentimos
se não sei se o sinto só.
(vourecommeçar, não se escreve deitadona cama, o ombro apoiado na almmofada quando o que queriadizer era o coto velo apoiadonoutrosítio)
Sabes o que é? (sentei-me, ainda na cama, escreve-se melhor)
É o não ter percebido ainda se o que sentimos sou eu só que o sinto. Vamos, tu namoras, por namorar entendo fazer aquelas coisas que fazem os namorados quando juntos; namoras, o que é bom, o que há-de ser bom. Há-de ser algo, há-de SER. Não é nada disso: é só que não percebi (e é isso, sabes, o que é) se o que sentimos sou eu que o sinto só. Era outra coisa, era outra coisa! Era isto, ou qualquer coisa como que isto:
Que a estranha empatia não a sei, se a sinto só
se a empatia em mim só
existe
Não existe.
(la palice é com cê ou dois ésses?)
Esquece tudo, meu amor, acabei de acordar (a língua colada ao céu da boca, as ramelas, o cabelo como a maré-vaza), não estou para ninguém.
Gostava de tentar contigo, um dia
(era isto!)
na sala-de-estar que há-de ser a única divisão da minha casa (um sofá largo e fundo roubado ao camião do lixo, uma mesa redonda, um candeeiro de vidro fosco e uma janela; restos de ontem, colheres e canecas sujas, um maço e um livro e música na grafonola faz-de-conta), tentar contigo um dia
Olhar.
Eu sentava-me aqui, tu sentavas-te à minha frente. Acendíamos cigarros, se quiséssemos; a cafeteira haveria de estar sempre cheia e quente. Punhas-te confortável (descalça os sapatos, tlum! no tapete, ufa-tlum! no tapete e para fora; encolhe as pernas e abraça a almofada velha), eu punha-me confortável também, inventava uma posição que fingisse conhecer (é suposto conhecer o meu próprio sofá, que merda) e olhava-te, assim como tu me olhavas, tal como tínhamos combinado.
Esquecíamos a treta das almas gémeas e o que quer que tivéssemos decidido que devia ou não acontecer. O universo não é dever, é desordem porque é ser, e as almas gémeas são hormonas que se toleram. Tu e eu saberíamos disso - e não perceberíamos um chavo do seu significado. Como te disse:
Tu sentada, eu sentado, olhávamo-nos
(a janela fechada, deixa-a estar, esquece o fumo de cigarro que disfarças não te desnortear, acabará por suspirar e expirar num estalo POP! nos caracóis soltos do teu pescoço. Há dias em que me pareces carregar toneladas; dias em que, sem te tocar, me pesas nos braços)
e isso seria só. Olhávamo-nos, apenas. Não à espera da telepatia, não da palavra, do telefone ou telefonia; nem à espera do correio nem à espera do sorriso. Olhávamos um para o outro até não podermos mais. Até nos doer
(não o frio, não a fome)
existir. Como num jogo: ganhava quem assim conseguisse ficar mais tempo, perdia a quem doesse mais. E como adoras jogos, e como detestas perder,
- Ganhaste, dói-me a cabeça
e pulava para o teu sofá. Fechava os olhos e o corpo, os meus ombros já nas tuas pernas, as tuas mãos despenteando-me o coração. Sem chorar,
(sou lá algum maricas)
seriam lágrimas de fumo a inundar-te o colo.
Esquece a treta das almas gémeas: elas não existem. O que existe, estou certo, é mexeres-me no cabelo sem que te peça; é tremeres a ponta do cigarro porque te pareço menos grotesco assim de perto. Agora sopra o fumo e apaga a beata no muro do coreto
- Anda dançar, esta sabes
no muro do coreto porque não há casa nem restos de ontem. E o que existe, estou certo, é o sol já se ter posto e ainda o ver nas tuas mãos.
O que existe é o que sentimos
se não sei se o sinto só.
13.11.08
Todos os mails "FW: Fwd:" fossem assim
«If the global financial crisis continues, by the end of the year only two banks will be operational, the Blood Bank and the Sperm Bank. Then these two banks will merge into a single bank, the "Bloody Fucking Bank".»
9.11.08
7.11.08
6.11.08
A minha máquina de escrever faz parágrafos onde não quero
Vi um louco de veludo
de louco inchado urrando garrett abaixo
- Porcos! escarrando, acho
aos cegos e aos sábios
e à menina do rio,
loiríssima com pinta de actriz
dos olhos pintalgados de lágrimas a verniz
à carne dos lábios
tremendo de frio.
O louco sorriu e à descida
descobriu-lhe uma ferida,
deu murros no peito
e achou-se com vida.
Retrato perfeito, não era ela mais nada
que a boca loiríssima, tímida e escancarada
de um anúncio a perfume
Envy
Desire
Doom!
da paragem do autocarro. Por muito-pouco
não engoliu ela o escarro do louco,
o escarro de perfume
enlouquecido de ciúme,
O cego morto e o sábio rouco.
Desfez sua a trança e não se olhou ao espelho
na fácil confiança de um vestido vermelho.
Mas a verborreia por ali ficara. Apetecia-lhe falar de Lisboa e não conseguia. Fazer uma festa, celebrar não sabia bem o quê. Pisou o cigarro, tomou a sua bica e abalou. Um estudante de Direito não sabe escrever.
de louco inchado urrando garrett abaixo
- Porcos! escarrando, acho
aos cegos e aos sábios
e à menina do rio,
loiríssima com pinta de actriz
dos olhos pintalgados de lágrimas a verniz
à carne dos lábios
tremendo de frio.
O louco sorriu e à descida
descobriu-lhe uma ferida,
deu murros no peito
e achou-se com vida.
Retrato perfeito, não era ela mais nada
que a boca loiríssima, tímida e escancarada
de um anúncio a perfume
Envy
Desire
Doom!
da paragem do autocarro. Por muito-pouco
não engoliu ela o escarro do louco,
o escarro de perfume
enlouquecido de ciúme,
O cego morto e o sábio rouco.
Desfez sua a trança e não se olhou ao espelho
na fácil confiança de um vestido vermelho.
Mas a verborreia por ali ficara. Apetecia-lhe falar de Lisboa e não conseguia. Fazer uma festa, celebrar não sabia bem o quê. Pisou o cigarro, tomou a sua bica e abalou. Um estudante de Direito não sabe escrever.
5.11.08
4.11.08
3.11.08
Queres ir passear o cão para o jardim dos drogados comigo?
Nunca um piqueno poema de um jovem (de quase 22 anos) com a maturidade intelectual de uma pêra-abacate apareceu durante tanto tempo (quase 4 dias) na primeira página de um blogue. Obrigado pelos comentários (quase 1).
31.10.08
De tanto abrir e fechar a janela
Entraram mosquitos
entraram
abelhas, mel e melgas
colaram
Nos teus lábios
de mel e abelhas
Mosquitos
entraram
abelhas, mel e melgas
colaram
Nos teus lábios
de mel e abelhas
Mosquitos
24.10.08
A Justiça contada às crianças
«7. Um "sentido de justiça" inato ou adquirido? Acontecimento e "Origem".
Há quem afirme existir no homem um sentimento inato de justiça, semelhante ao instinto no mundo animal. EHRENZWEIG vai ao ponto de dizer que a natureza foi suficientemente sábia para não confiar no intelecto do homem e por isso dotou este com o "sentido de justiça". Mas também há quem, pelo contrário, afirme que "não é o sentimento jurídico que cria o direito mas o direito que cria o sentimento jurídico" (Rudolf von IHERING). Para muitos autores, o sentimento de justiça tem uma origem histórico-empírica. Não é pois, um sentimento inato. Entretanto, muitos defensores do jusnaturalismo apoiam a tese da existência no homem de um sentimento inato de justiça.
Esta é a velha querela sobre o problema da génese, em tudo semelhante à mesma querela nos domínios da biologia, da psicologia, da sociologia e da linguística: àqueles que defendem o carácter decisivo dos factores endógenos opõem-se os que atribuem esse papel aos factores exógenos.»
Até aqui tudo jóia.
«(...) A questão é, pois, a de saber quais os pressupostos a priori e inquestionáveis de uma certa forma de vida (aquela que se "origina" na "comunidade comunicativa"), e já não a de saber se um desses pressupostos tem a sua génese em factores endógenos ou exógenos. Esta última questão tem a ver com a génese como acontecimento, ao passo que a primeira se não reporta a um acontecimento mas a uma "origem". Ora a "origem" - no sentido em que aqui usamos o termo - não tem nada de comum com uma génese-acontecimento; antes, opera como vórtice ordenador no devir dos acontecimentos e é operando, é na medida em que ordena acontecimentos dispersos e contingentes, que a origem é, ou se torna vigente. Não é, portanto, um acontecimento ou causa explicativa, antes se configura como princípio normativo que só tem vigência ou é - e até só pode vislumbrar-se - porque se cumpre numa ordem efectiva, mas que tem que ser pensado como anterior a essa ordem efectiva.» (numa segunda leitura de Introdução ao Direito e ao Discurso Legitimador, J. Baptista Machado)
Pimba! Sentiram? "Valem penus studium sentit cerebrus inflatur", i.e. "vale a pena estudar se se sentir o cérebro inchar".
Imagino Baptista Machado a forrar o seu código civil com Kierkegaard, com medo que lhe berrassem injustamente na rua "ó jurista!", reduzindo-o ao fato e à gravata. O tipo foi um brinca-na-areia jurídico: e este é o mais sincero elogio que lhe posso dar.
Há quem afirme existir no homem um sentimento inato de justiça, semelhante ao instinto no mundo animal. EHRENZWEIG vai ao ponto de dizer que a natureza foi suficientemente sábia para não confiar no intelecto do homem e por isso dotou este com o "sentido de justiça". Mas também há quem, pelo contrário, afirme que "não é o sentimento jurídico que cria o direito mas o direito que cria o sentimento jurídico" (Rudolf von IHERING). Para muitos autores, o sentimento de justiça tem uma origem histórico-empírica. Não é pois, um sentimento inato. Entretanto, muitos defensores do jusnaturalismo apoiam a tese da existência no homem de um sentimento inato de justiça.
Esta é a velha querela sobre o problema da génese, em tudo semelhante à mesma querela nos domínios da biologia, da psicologia, da sociologia e da linguística: àqueles que defendem o carácter decisivo dos factores endógenos opõem-se os que atribuem esse papel aos factores exógenos.»
Até aqui tudo jóia.
«(...) A questão é, pois, a de saber quais os pressupostos a priori e inquestionáveis de uma certa forma de vida (aquela que se "origina" na "comunidade comunicativa"), e já não a de saber se um desses pressupostos tem a sua génese em factores endógenos ou exógenos. Esta última questão tem a ver com a génese como acontecimento, ao passo que a primeira se não reporta a um acontecimento mas a uma "origem". Ora a "origem" - no sentido em que aqui usamos o termo - não tem nada de comum com uma génese-acontecimento; antes, opera como vórtice ordenador no devir dos acontecimentos e é operando, é na medida em que ordena acontecimentos dispersos e contingentes, que a origem é, ou se torna vigente. Não é, portanto, um acontecimento ou causa explicativa, antes se configura como princípio normativo que só tem vigência ou é - e até só pode vislumbrar-se - porque se cumpre numa ordem efectiva, mas que tem que ser pensado como anterior a essa ordem efectiva.» (numa segunda leitura de Introdução ao Direito e ao Discurso Legitimador, J. Baptista Machado)
Pimba! Sentiram? "Valem penus studium sentit cerebrus inflatur", i.e. "vale a pena estudar se se sentir o cérebro inchar".
Imagino Baptista Machado a forrar o seu código civil com Kierkegaard, com medo que lhe berrassem injustamente na rua "ó jurista!", reduzindo-o ao fato e à gravata. O tipo foi um brinca-na-areia jurídico: e este é o mais sincero elogio que lhe posso dar.
22.10.08
Esqueçam o rough guide, o michelin ou o american express
e vejam Lisboa. O coração de ouro ao pescoço da holandesa é coisa para ter sido abafada por um sócio da Bica entre duas trincas naquela duchése.
17.10.08
O mocinho e o violão
Começaram por ser palavras sobre as tuas tatuagens,
Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
chegaram a ser palavras sobre a alvorada de Frei Lourenço e a colheita de Maria Joana que mataria dois adolescentes obtusos e imbecis,
- É, isso é uma revelação incrível da pessoa. E você, que todas as suas letras no feminino são geniais, são impressionantes! Falam que é a anima da pessoa. É bonito, isso. Porque você revela um outro negócio teu, né?, que não é ego, que é do céu, e grande! Tu é lindíssimo. Suas mulheres, essas mulheres de dentro de você são... são lindas!
mas acabaram palavras sobre um sonho mais simples de elegância transparente:
- Lindo! Agora eu que quero cantar!
- Jóia!
Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
chegaram a ser palavras sobre a alvorada de Frei Lourenço e a colheita de Maria Joana que mataria dois adolescentes obtusos e imbecis,
- É, isso é uma revelação incrível da pessoa. E você, que todas as suas letras no feminino são geniais, são impressionantes! Falam que é a anima da pessoa. É bonito, isso. Porque você revela um outro negócio teu, né?, que não é ego, que é do céu, e grande! Tu é lindíssimo. Suas mulheres, essas mulheres de dentro de você são... são lindas!
mas acabaram palavras sobre um sonho mais simples de elegância transparente:
- Lindo! Agora eu que quero cantar!
- Jóia!
16.10.08
A maturidade da ginginha
Ontem à tardinha, sob o escudo anti-míssil de lençóis desfraldados nos estendais das varandas, inexplicavelmente imunes ao água-vai! sem aviso da rua da Atalaia,
- Grande cadela, meu puto!
era devido que um rapaz de copo meio-vazio em punho se dirigisse com ensaiada sobriedade a grupinhos aparentemente coesos de raparigas e lançasse o seu cavalo de Tróia, cujos guerreiros gregos contavam histórias de flores que caminhavam e de asas de anjo esquecidas em casa. Ontem à tardinha, a breves minutos do ocaso torrado da rua da Rosa,
- Meu maricas!
era devido que uma rapariga de copo meio-cheio, a metade vazia a dar um tom arroxeado ao decote violeta, simulasse aos guerreiros gregos a repulsa de quatro minutos e meio que a livrava da fama de perdida.
Sofistas e filósofos chamavam o Gregório e o Gregório não aparecia. Ano do incêndio do Chiado? 1755. Cognome de D. Dinis? "O agricultor". A procura era elástica, a oferta semi-rígida, a mão invisível no bolso das calças e o ponto de equilíbrio no óptimo de Pareto: o mercado funcionava sem que fossem necessárias injecções de capital ou de soro. Desabituados à teoria das vantagens comparativas, ele e eu cantávamos como estes dois,
o seu copo meio-cheio, o meu meio-vazio,
- Meu maricas!
encontrando o equilíbrio num abraço que fugia para lá de um ano, ebriamente interessados nos sonhos dos outros (os sonhos dos outros sobriamente desinteressados de si próprios).
«Não sou ladrão, eu não sou bom de bola». Talvez esteja mais maduro, talvez apenas mais barbudo: no meu último rali das tascas não roubei nenhuma maçã.
- Grande cadela, meu puto!
era devido que um rapaz de copo meio-vazio em punho se dirigisse com ensaiada sobriedade a grupinhos aparentemente coesos de raparigas e lançasse o seu cavalo de Tróia, cujos guerreiros gregos contavam histórias de flores que caminhavam e de asas de anjo esquecidas em casa. Ontem à tardinha, a breves minutos do ocaso torrado da rua da Rosa,
- Meu maricas!
era devido que uma rapariga de copo meio-cheio, a metade vazia a dar um tom arroxeado ao decote violeta, simulasse aos guerreiros gregos a repulsa de quatro minutos e meio que a livrava da fama de perdida.
Sofistas e filósofos chamavam o Gregório e o Gregório não aparecia. Ano do incêndio do Chiado? 1755. Cognome de D. Dinis? "O agricultor". A procura era elástica, a oferta semi-rígida, a mão invisível no bolso das calças e o ponto de equilíbrio no óptimo de Pareto: o mercado funcionava sem que fossem necessárias injecções de capital ou de soro. Desabituados à teoria das vantagens comparativas, ele e eu cantávamos como estes dois,
o seu copo meio-cheio, o meu meio-vazio,
- Meu maricas!
encontrando o equilíbrio num abraço que fugia para lá de um ano, ebriamente interessados nos sonhos dos outros (os sonhos dos outros sobriamente desinteressados de si próprios).
«Não sou ladrão, eu não sou bom de bola». Talvez esteja mais maduro, talvez apenas mais barbudo: no meu último rali das tascas não roubei nenhuma maçã.
13.10.08
Quase-blogue
«(...) José B. crescera e quase nada tinha mudado. O outro era amigo da família e vinha passar as tardes de sábado no jardim de casa dos seus pais. No escritório onde trabalhava tinha quase mais clientes do que os seus colegas, o que lhe chegava para arrendar um apartamento simpático com quase tantas assoalhadas como o do vizinho. Tinha quase os mesmos amigos que sempre tivera e que, como ele, quase se tinham esquecido das viagens que tinham feito. Ainda bebiam cerveja.
E Deus (em Quem, porque a sua mulher irresistivelmente lhe pedinchara, voltara a acreditar) dava-lhe ainda duas coisas tremendas. E essas duas coisas tremendas, tremendamente incompatíveis, eram o seu filho e uma guitarra eléctrica.» (in O advogado José B. que queria cantar como o Jeff Buckley, 3 de Junho de 2007)
Mais de um ano depois o quase-advogado é ainda um quase-quase: quase a desistir do curso, quase a acabá-lo com notas quase invejáveis; quase a tocar numa banda de baladas-roque, quase a partir a guitarra contra a parede. Quase o quase-advogado percebe que uma menina de olhos muito verdes e cabelos muito loiros que não lhe dê a ele muitos cabelos brancos não é menina para ele. Quase percebe que a única viagem que vale a pena fazer é só de ida - ou quase só de ida. Um ano depois o quase-advogado quase-quase descobre o que quase-quase quer dizer. E com quase os mesmos amigos que sempre tivera quase-quase percebe que vai sendo tarde demais para escrever peças de teatro sobre peças de fruta.
Quase-quase a terminar: o quase-blogue chama-se "o filho e a guitarra" mas esteve quase para se chamar "o filho e a guitarra eléctrica". Porque é que se chama "o filho e a guitarra" e não se chama "o filho e a guitarra eléctrica"? O quase-advogado não sabe. Pode ser que seja do fado que ouvia quando se lembrou do título, pode ser que seja da Grace acústica no seu colo enquanto a Satine eléctrica na cama. Pode ser que seja de ambas as coisas, pode ser que não seja nem de uma coisa nem de outra.
Isto é como o pudim, quer-se instantâneo, sem qualquer pretensão.
Quase instantâneo. Quase sem qualquer pretensão.
Bem-vindos, descalcem os sapatos, há cerveja no frigorífico!
E Deus (em Quem, porque a sua mulher irresistivelmente lhe pedinchara, voltara a acreditar) dava-lhe ainda duas coisas tremendas. E essas duas coisas tremendas, tremendamente incompatíveis, eram o seu filho e uma guitarra eléctrica.» (in O advogado José B. que queria cantar como o Jeff Buckley, 3 de Junho de 2007)
Mais de um ano depois o quase-advogado é ainda um quase-quase: quase a desistir do curso, quase a acabá-lo com notas quase invejáveis; quase a tocar numa banda de baladas-roque, quase a partir a guitarra contra a parede. Quase o quase-advogado percebe que uma menina de olhos muito verdes e cabelos muito loiros que não lhe dê a ele muitos cabelos brancos não é menina para ele. Quase percebe que a única viagem que vale a pena fazer é só de ida - ou quase só de ida. Um ano depois o quase-advogado quase-quase descobre o que quase-quase quer dizer. E com quase os mesmos amigos que sempre tivera quase-quase percebe que vai sendo tarde demais para escrever peças de teatro sobre peças de fruta.
Quase-quase a terminar: o quase-blogue chama-se "o filho e a guitarra" mas esteve quase para se chamar "o filho e a guitarra eléctrica". Porque é que se chama "o filho e a guitarra" e não se chama "o filho e a guitarra eléctrica"? O quase-advogado não sabe. Pode ser que seja do fado que ouvia quando se lembrou do título, pode ser que seja da Grace acústica no seu colo enquanto a Satine eléctrica na cama. Pode ser que seja de ambas as coisas, pode ser que não seja nem de uma coisa nem de outra.
Isto é como o pudim, quer-se instantâneo, sem qualquer pretensão.
Quase instantâneo. Quase sem qualquer pretensão.
Bem-vindos, descalcem os sapatos, há cerveja no frigorífico!
Voar sem collants
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- É tarde, Maria
- Meia página
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- O Fabuloso Destino de Juli
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- O Mito do Celofane
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